quarta-feira, 30 de setembro de 2009

#8 A falta que um cinzeiro faz.

Nada precisa necessariamente de um apoio. Um cigarro pode ficar entre os dedos, escorado na quina da mesa ou em uma latinha vazia de cerveja. O cinzeiro é dispensável, o cinzeiro é substituível. Mas é nele que pensamos quando precisamos adoçar o café e não temos mãos livres. "Cadê o cinzeiro?" é o primeiro pensamento ocorrente. Se o temos, puxamos pra perto. Se não temos, lamentamos.

Ultimamente tenho sentido muita falta de um bom cinzeiro. Improviso sempre que necessito (quando não dá pra ficar só segurando entre os dedos ou tem vento demais pra escorar na ponta da mesa), mas sinto falta de um de verdade, fixo. Não os 'cinzeiros descartáveis'. Não interessa se de vidro, cerâmica, aqueles pretinhos e plásticos de botequim ou dos antigos feitos de alumínio. Claro, do jeito que sou desastrada, é melhor que não seja dos facilmente quebráveis.

Desses eu já tive vários, e todos terminaram espatifados no chão duro e frio. Me acostumei a já nem os ter. Talvez por medo de quebrá-lo de novo.
Só sei que sinto falta de um cinzeiro, o cigarro está no fim e já está queimando meus dedos. Só não sei onde encontrar... nem se realmente o quero encontrar. Mas se a vida me ceder mais um eu com certeza tomarei mais cuidado do que das outras vezes. Só se dá valor pra algo quando se o perde. Mesmo que seja algo aparentemente tão insignificante como um cinzeiro.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

#7 Um pouco de verdades.

Um detalhe: odiar é gratuito.
Aproveitando esse pequeno fato eu faço meus dias mais felizes.
Odiar é bom. Olhar com toda a repulsa possível, com a boca transbordando escárnio e o sangue quente e borbulhante. Parecido com raiva, mas mais consistente, denso. Diria até que possui uma textura mais cremosa. Belo e devastador como a lava borbulhante.
Mas não era para falar de ódio em si que eu comecei a escrever, e sim do que eu odeio.
De um ódio específico.
Moralismo. Independente de ser falso ou não, eu odeio o moralismo. E os moralistas.
E me deparei com eles hoje, logo pela manhã e antes de uma bela e aromatizada caneca de café preto e fumegante.
O motivo?
Cigarro.
A polêmica que gera a clássica e tenebrosa mania de repetir tudo aquilo que todos já disseram, e foram tantos que você sequer lembra quem foi o primeiro.
Eu sei que faz mal. Eu sei que é dinheiro sendo mal empregado. Eu sei que estou poluindo o mundo. Eu sei que vou morrer jovem, possivelmente de câncer. Eu sei que faz mal pra pele. Eu já sei disso e mais um muito. Mas quem disse que eu ligo?
E a esperança é que, quando eles terminem de falar, eu jogue o maço no lixo junto com os fósforos, o abrace e diga "obrigado por abrir meus olhos"?
Então, eu faço isso e ele vai embora feliz por ter ajudado alguém. Chega em casa e bate na esposa, nos filhos, bebe até desmaiar no sofá e, no outro dia, segue sua vida. Uma vida digna, sem tabaco.
Como é fácil criticar a vida alheia quando nossos pecados já são uma rotina...

Humanos me enojam.

domingo, 27 de setembro de 2009

#6 Sing a song.

Hoje tive um dia de reflexões. Não sei se foi o tempo chuvoso ou sabe lá Deus o que me deixou pensativa, o fato foi que pensei. Muito. Em quê? Tudo. Tudo que me cerca, todos os sentimentos que tenho em mim, os que terei, os que tive e suas razões - tanto pra surgirem quando pra sumirem.
De fato estou pensando até agora.
Trilha sonora? Legião Urbana.
No momento ouço a música 'Giz' que, coincidentemente, é um dos hinos da minha vida.

"Eu rabisco o sol que a chuva apagou "


E apagou mesmo, junto com minha sanidade. Melhor assim.
Voltei a compor.
Posso me perder na conta dos meses que fazem que não escrevo uma música nova.

"Faz parte ainda do que me faz forte. Pra ser honesto, só um pouquinho infeliz."

Saudade de me perder.
Saudade de chorar por horas a fio até sentir a dor física tão insuporável que é preciso gritar.
Saudade de pensar nas soluções mais práticas.
Saudade.
Saudade de pesadelos tão reais que se sente que não dá para acordar.
Saudade de sentir falta de ser feliz.

Matei minhas saudades, hoje.
Me sinto outra pessoa.
Me sinto eu novamente.

" Tudo bem, tudo bem, tá tudo bem. "

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

#5

Muita coisa se perdeu, com o passar dos tempos.
Perdeu-se o costume de acordar cedo pra ver o nascer do sol. Perdeu-se o cavalheirismo em meio a igualdade de gêneros (justo quando tinha tudo para prosperar!). Perderam-se os bons costumes, os bons modos, a boa família.
Perdeu-se a boa literatura.
E nem bem culpa dos literatos, é. Perdeu-se a literatura porque perderam-se os leitores.
Se a culpa de não existirem bons leitores for não existirem novos bons artistas... aí já não sei. Mas que dá pra atribuir isso à cultura em massa, dá.
Televisão, rádio, internet.
Só eu penso que, atualmente, deveríamos ter mais leitores e escritores do que antigamente? Digo, é tão fácil compartilhar livros, trabalhos e esse tipo de coisa através do mundo virtual...
Ou será que é tão fácil que ninguém mais se presta a isso?
Me pergunto em que esquina ou bueiro se perderam os valores culturais.

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Lamúria

Que me resta dessa agonia,
onde a frívola harmonia
faz dos homens miseráveis?

Que me resta da dor morta,
da balbúrdia atrás da porta,
dos murmurinhos incontáveis?

Que resta a nós, rele imunda,
a plebe que o burgês insulta
como se jamais fosse sofrer?

É a lua em noite triste
que de cima tudo assiste
o que Deus finge não ver.
(G. Gil)

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Alguém sabe se é possível ter alergia ao Free Spicy? =/