terça-feira, 24 de novembro de 2009

#13 Martírio

Traz o cianureto num copo bonito e, ao sair,
apaga a luz.
Obrigada.






Não-rima.

Segundo.
A cada, a dor pela espada
A que separa, a vil ladra
Do tempo que nem bem tenho
Do sonho no qual me embrenho
Passando dias brancos em vão.

Me confundo, te busco em tudo.
Eu procuro, nem bem me iludo
e já morro de frustração.

Vôo paredes, corro rios
Choro a falta do som dos
Risos teus.

E se me perguntam
"Que te aflige?"
Respondo, amarga como consigo,
que nada passa de um rabisco.
Se não compreende, melhor.
Não busco a rima por exatidão
Me busca a frieza da falta e solidão
Me busca cada segundo menor.

E o que quero, e o que consigo
É aquilo que vem comigo
Quando vais te afastando.

Se te amo, não me digo.
Porque já me vale esse castigo
De nunca me pedir perdão.

#12 Insomnia

Sai e me deixa dormir.

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DISLEXO

Suspiro!

Liberto e reprimo

as asas da lucidez.

E, em meio a agonia sem nome,

Embrenhei na noite que me consome

a dor, a cura e a embriaguez.

Desespero!

Angústia que eu incinero num cinzeiro

na forma de um cigarro.

O cheiro pestilento do nevoeiro em que me embrenho é a cicatriz do teu estrago.