sábado, 20 de fevereiro de 2010

#22 Tempestuoso







Foi quando parou de chover lá fora
e começou o temporal aqui dentro
que eu percebi algo fora do lugar





E foi assim que percebi como são lindos os dias tempestuosos.
É misteriosa a forma com que a chuva vai sendo carregada pelas rajadas de vento cortante. A água no solo ondula como uma pequena maré, a atmosfera carrega todo o movimento. É incerto, é curioso, é duvidoso, é desconhecido, é improvável.
É belo.
Uma harmonia de sons, cores, texturas... a força com que as gotas atingem a pele chegam a machucar, mas revigoram. O vento na roupa molhada dá arrepios, frio, mas nos faz sentir vivos, de fato.
Impossível enxergar o céu. Apenas nuvens, nuvens esbranquiçadas, acinzentadas, negras. Não há como saber se é dia ou noite. Também não há necessidade disso.
A única iluminação é a do imponente raio, precedendo o som vibrante do trovão.
É, além de belo, nobre.
É algo do qual não se esquece, não passa despercebido. Deixa marcas profundas, fissuras, devastação. Belo e perigoso. Majestosa como uma rosa e seus espinhos.
Um guarda-chuva protege de garoas e chuviscos, mas é impossível fugir de uma tormenta.
Só é possível buscar abrigo no sentimento que isso proporciona. Na beleza dos raios, na força das chuvas, nos abalos e tremores.
As tempestades começam, duram seu tempo e vão embora, como há de ser.
Sobra a saudade nos dias de sol, e a esperança de um próximo banho de chuva.

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