quinta-feira, 4 de março de 2010

#23 Vigésimo terceiro.

Se mais um dia se passou, eu realmente não vi
Sequer percebi alteração no meu relógio
Meu sol não segue um movimento cronológico
Meu céu eclipsado não resplandece em azul anil.

E por que haveria de seguir tal padrão
Se nem ao menos abro os olhos de manhã?
No afã de continuar um devaneio insano.
Seguem fechados, coitados, em vão

E em vão sigo eu, em meus dias sem fim
Dias inglórios, bastardos
Eternos como a noite que habita em mim
Trazendo a agonia dos invernos passados

E a lembrança nítida e ardente
Daquele verão que vivi uma vez
Houve a chuva a banhar-me a tez
E o sol a beijar-me fremente

Seguir sonhando, árdua é a espera
Pois o que resta, agora, é a esperança
De mãos dadas com o tempo, como criança
Beijando os pés da minha última quimera.

Um comentário:

  1. Mais uma vez vim te parabenizar. É incrível sentir uma poesia com tanta emoção, que toca de verdade. E muitas vezes me identifico, com esse vazio, essa noite eterna de quem não abre os olhos. Talvez isso me ajude a enxergar.

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