sexta-feira, 19 de março de 2010

#24 Ashes&Aces


E foi assim que me ensinaram:
As cinzas sempre ficam para
trás.


O problema reside na brisa suave do verão, pois a mesma que brisa que beija o rosto é aquela que desorganiza tudo aquilo que ficou para trás.
Aquelas cinzas, já queimadas e esquecidas, tornam a aparecer no meio do caminho, levadas por uma força invísivel que não se vê, apenas se sente.
Bate então a nostalgia, as memórias, a lembrança de um filtro queimando antes de ser descartado. Aquele café, o cheiro, a textura, tudo o que acompanhava aquilo que já se queimou.
Volta a queimar, então, mas por dentro. A aflição entre os dedos, o aroma parece ressurgir no ar, como um espectro. Um anjo nas formas de fumaça.
As cinzas deveriam ficar sempre para trás, como lembranças que são daquilo que já passou. Aquele cigarro já não há de queimar mais. Melhor abrir uma nova carteira.
E vire sempre o primeiro cigarro da embalagem, e o fume por último. Dizem que, assim, não faltarão cigarros no futuro... e cinzas e baganas pelo caminho já percorrido.
Afinal... que vida seria uma vida sem memórias?

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