sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

#32 Eu gosto dos olhos.

E eu não vou me cansar do clássico clichê dos olhos belos.

A inspiração dos poetas, a piscina dos amantes, o espelho da alma. Em todas as suas formas, cores, contrastes. Eu gosto é dos olhos.

Claro que sorrisos me conquistam, também. Mas os olhos também sorriem. E é isso que me encanta tanto. A emoção que os olhos te passam.

A dor, o medo, a sinceridade, a calma, a luxúria, o desejo, a alegria. Tudo o que palavras podem disfarçar, mas acabam desmentidas por um soslaio ou brilho exagerado.

E não escolho meus olhos favoritos por cores. Das cores, gosto de todas. Não escolho também pelo formato ou tamanho - isso pouco me interessa.

Mas meus olhos favoritos são aqueles cor de café, nem exageradamente grandes ou estranhamente pequenos. Aqueles! São profundos, como o mar, e parece que olham pra dentro da alma. Mas não me assustam: me alegram. São olhos sorridentes, olhos que confortam, que me aquecem. Ah, esses olhos... eu gosto é desses olhos!

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

#31 O Flautista de Hamelin



E chega bela, como uma canção, toda a ilusão que nos há de desesperar.

Nos carrega nos braços, embala e aconchega, fantasia nossos desejos mais doces. Tanto nos engana com essa idéia de perfeição que baixamos a guarda, nos jogamos de cabeça e coração.

E a música vai sumindo gradativamente, tão sutilmente que a mudança nem é peceptível.

E quando percebemos? É quando estamos caídos sozinhos, de costas no chão frio de um quarto escuro, úmido e vazio. E aí percebemos que tudo o que carregávamos foi levado pra longe: todas as emoções, vontades, medos, desesperos e sonhos. Tudo se foi junto com a melodia precita e o calor que nos abraçava.

E o que resta disso? Nem carinho, nem memória, nem dor. Não sobra nada. Nada além de uma casca vazia e condenada. Sem sonhos. Sem lembranças. Sem temor. Resta uma casca fria e ruínas.

E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e cinzenta cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma esperança.