segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

#31 O Flautista de Hamelin



E chega bela, como uma canção, toda a ilusão que nos há de desesperar.

Nos carrega nos braços, embala e aconchega, fantasia nossos desejos mais doces. Tanto nos engana com essa idéia de perfeição que baixamos a guarda, nos jogamos de cabeça e coração.

E a música vai sumindo gradativamente, tão sutilmente que a mudança nem é peceptível.

E quando percebemos? É quando estamos caídos sozinhos, de costas no chão frio de um quarto escuro, úmido e vazio. E aí percebemos que tudo o que carregávamos foi levado pra longe: todas as emoções, vontades, medos, desesperos e sonhos. Tudo se foi junto com a melodia precita e o calor que nos abraçava.

E o que resta disso? Nem carinho, nem memória, nem dor. Não sobra nada. Nada além de uma casca vazia e condenada. Sem sonhos. Sem lembranças. Sem temor. Resta uma casca fria e ruínas.

E foi isso que se sucedeu há muitos, muitos anos, na deserta e cinzenta cidade de Hamelin, onde, por mais que se procure, nunca se encontra nem um rato, nem uma esperança.

2 comentários:

  1. Cara, eu poderia interpretar isso de tantas formas que não sei nem o que comentar!

    ResponderExcluir
  2. O interessante é que nos desesperamos pra nos livrarmos de sensações que não gostariamos de sentir e acabamos deixando algo importante passar batido, como, talvez aquele momento de sofrimento fosse render uma lição que proveria felicidade futura. Kura, tu é foda!

    ResponderExcluir