quarta-feira, 8 de julho de 2015

Artística

E tu me olha com um sorriso enviesado e uma cara que não diz nada (e se diz não sei, não te encaro).
Fica imóvel assim pra mim que quero um retrato gravado na pele da minha boca na tua, do gosto do teu lábio úmido à meia-lua que te ilumina só uma metade.
Chega perto que te agarro, uma mão no cabelo e outra sem embargo a te pedir, por favor, te abaixa. Tu é bem alto.
E se teu pescoço é doce como a cor da tua pele que é assim, meio mel
Descubro sozinha, faço do teu eu meu céu
Do teu corpo uma tela, da minha boca pincel.

domingo, 10 de maio de 2015

Uma carta de amor

Oi! Faz tempo, né?
Mais tempo do que eu queria (porque eu não queria tempo nenhum, mas você não vai acreditar, tenho certeza).
Fico feliz de saber que tu tá bem. 
Deixou a barba crescer... eu gostava como era antes, mas ficou legal assim.
"Como era antes"... 
É uma expressão engraçada, né? Nada é como era antes. Nem tu, nem eu.
Vejo que tu mudou. Parece mais sério, mais seguro. Ainda com o mesmo brilho nos olhos, mas agora não é mais pra mim. É sei lá pra que(m). Isso é bom, eu acho. Deve ser.
Tá chovendo aqui. Lembrei de uma vez que a gente saiu pra andar na praia à noite. 
Não choveu naquele dia, mas o barulho nas telhas me lembra um pouco o rugido do mar.

Não vou me demorar, só queria te dizer um "alô", que eu lembro de ti, que eu penso em ti e que tenho saudade.

Mas não tenho coragem.

E tu, será que lembras de mim?

sábado, 24 de janeiro de 2015

Dois


Numa tarde de chuva quando acordou sozinha
o céu vazava. Ela, vazia.

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E se eu te tivesse aqui, agora, na minha sala de estar
estaria tudo bem melhor.

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Acordou de madrugada, a dor forte no peito.
Infartando, colocou o relógio para despertar. Ainda tinha umas horinhas.


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N.A.: Não são bons, mas Devassa também não é e no aperto todo mundo engole.
Eu já engoli até demais.
É o que tem pra hoje.